Mecânica 2016 mostra que projetos começam a sair das gavetas

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Maio
 
 

A Mecânica 2016, feira realizada de 17 a 21 de maio no Anhembi, revelou algo há muito esperado pelo setor de máquinas e equipamentos: seus clientes deram início ao processo de desengavetamento de projetos de investimento que há dois ou três anos hibernavam à espera de tempos melhores. Segundo os expositores, não é possível afirmar ainda que os projetos serão retomados, mas pelo que se viu nos cinco dias de exposição já se dá como certo que no mínimo as empresas estão retirando a poeira acumulada sobre os projetos.

E a mola que impulsionou esse movimento, na opinião de vários expositores entrevistados pelo site Usinagem-Brasil, chama-se equipe econômica. “Os clientes ficaram mais confiantes a partir da apresentação dos nomes que compõem a equipe econômica, que são de primeira linha”, afirmou Daniel Dias de Carvalho, diretor da Fagor Automation do Brasil e presidente do Conselho Deliberativo da Abimei. “Com isso, a feira superou todas as expectativas com as visitas de clientes ativos e inativos demonstrando disposição de voltar a investir. O que se pode notar aqui foi um sinal de que os negócios que estavam em compasso de espera serão retomados”.

Mohseen Hatia, diretor-geral da Okuma Latino Americana, disse que a princípio estava receoso com a possibilidade de o evento ter menor visitação, não só pela crise mas também pelo fato de no início do mês ter ocorrido outra feira do mesmo segmento na cidade (Feimec). “Mas fomos beneficiados com as mudanças ocorridas na política e na economia”, disse. “Foi bom poder conversar com os clientes neste outro cenário e perceber que existem muitos projetos que, a partir de agora, poderão ser concretizados”.

Diretor Comercial da Bener, Wilson Borgneth lembra que há um mês a empresa chegou a pensar em desistir de participar da Mecânica 2016. “Ficamos mais otimistas com a nova equipe econômica, sem políticos e só com profissionais de primeira linha, o que permitiu se respirar um novo ar aqui na feira”, ressalta. “E esse otimismo se concretizou com visitação acima da expectativa e a reativação de projetos antigos e o surgimento de projetos novos”.

“Os clientes estão mais otimistas, com a expectativa de que o Brasil vai mudar”, afirma Carlos Eduardo Ibrahim, diretor da Makino do Brasil. “Projetos de investimentos de multinacionais que cotamos antes das eleições de 2014 e que estavam paralisados tiveram autorização das matrizes para serem atualizados”.

Na avaliação de Alessandro Alcantarilla, gerente-geral da Blaser Swisslube do Brasil, o público do evento foi menor que em outras edições da Mecânica 2016, mas muito qualificado. “Fizemos bons contatos e estamos saindo daqui com vários projetos - projetos novos e alguns que estavam parados e que agora começam a andar”.

Para o presidente da Abimei, Paulo Castelo Branco, a feira foi muito positiva. “Conversei com quase todos os 38 expositores associados da Abimei e o consenso é que o resultado foi muito além do esperado”, disse. “Talvez, nós já tenhamos batido no fundo do poço e agora vamos retomar ainda que em ritmo lento”.

NEGÓCIOS - O volume de negócios ficou distante de outras edições da Mecânica, mas ninguém parecia demonstrar descontentamento com esse fato. Até porque o menor volume de vendas durante a feira superou, em muitos casos, o registrado nos meses anteriores ao evento. Sílvio Mitsunaga, diretor Administrativo e de Vendas da GF Machining Solutions do Brasil, lembra que a empresa chegou a vender 45 máquinas na feira de 2012 e cerca de 100 máquinas numa outra edição, nos anos 2000. “Aqui vendemos bem menos, mas foram máquinas de alto valor agregado e que certamente farão diferença nos nossos números do ano. Além disso, vários clientes saíram do nosso estande com pedidos preenchidos, mas não assinados, e que devem ser concretizados nas próximas semanas”, informa.

O caso da Muratec é semelhante. Com um histórico recente de quatro máquinas vendidas na Feimafe 2015 e cinco na Mecânica 2014, a empresa havia fechado a venda de uma máquina até o final do terceiro dia do evento. “O importante é que os visitantes demonstravam grande interesse em novas tecnologias”, diz Diomedes Marcondes, engenheiro de Vendas da Muratec do Brasil. “Recebemos mais consultas do que esperávamos e alguns clientes que vínhamos prospectando sinalizaram que os projetos agora vão começar andar”.

Para Cristian Pavan, diretor da Eurostec, a Mecânica 2016 excedeu as expectativas no que se refere a público,qualificação dos visitantes e até no fechamento de negócios. “O que ajudou foi a mudança na política. O ânimo é outro e os clientes mostraram disposição para falar de negócios”, declara. “Um de nossos objetivos era o de divulgar nossa marca na região Sudeste e a nova filial em São Paulo, em Louveira, mas ficamos bem contentes com o volume de negócios e o interesse dos clientes de todo o Brasil - recebemos visitantes do Nordeste, do Centro-Oeste e do Sul em bom número”.

MUDANÇA DE ÂNIMO - “Por causa da crise muitos investimentos estavam represados. A feira deu uma injeção de ânimo”, comenta Wanderley Goya, gerente Comercial da Simco. “Com a nova equipe econômica, o pessoal está desengavetando projetos. Empresas com as quais estamos trabalhando há muito tempo deram sinais de que agora os projetos vão sair”. Em sua opinião, a feira muito positiva e trouxe vários projetos para a equipe técnica e comercial da empresa “que agora tem bastante trabalho, talvez até o final do ano”.

De acordo com Tadeu Evangelista, diretor da Haas Outlet Factory do Brasil, o que era perceptível na Mecânica 2016 era o novo ânimo dos clientes, influenciados pelas notícias de mudanças no governo. A empresa recebeu bom número de visitantes com poder de decisão que demonstraram real interesse em investir, inclusive com o fechamento de alguns negócios. “Se a feira fosse realizada no próximo mês creio que teríamos mais resultados pontuais”, afirma, acrescentando que “o saldo foi positivo”.

GOTEIRAS - A nota triste da feira ficou por conta do Anhembi, ou melhor, das instalações do Anhembi. As chuvas no início da semana revelaram goteiras em vários pontos do pavilhão, inclusive sobre máquinas e equipamentos. Máquinas precisaram ser desligadas, cobertas. Foram registrados alguns prejuízos, como a queima de painéis eletrônicos. O fato provocou revolta em alguns expositores, que acabaram por ser amenizadas com uma nota de desculpas da SPTuris, que administra o Anhembi, e o crescimento do números de visitantes e negócios ao longo da semana. As goteiras, porém, voltaram a ocorrer no sábado, último dia do evento.

 
 

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