Indústrias apostam em drones para impulsionar produtividade

03
Agosto
 
 

Imagine pequenos robôs aéreos, parecidos com miniaturas de aviões ou helicópteros que obedecem a comandos por controle remoto. Tudo bem, isso já é realidade. No entanto, em breve, os Veículos Aéreos não Tripulados (Vant), ou drones - como são popularmente chamados - poderão ganhar novas funções em nossa rotina, como realizar entregas em casas e prédios comerciais. O uso dessa tecnologia está cada vez mais difundido e tem se tornado peça fundamental para aumentar a competitividade.

Nos últimos anos, o desenvolvimento tecnológico contribuiu para a popularização do equipamento. Como cada drone tem características distintas, ele pode exercer diversas funções, com objetivos variados. Empresas de delivery, por exemplo, poderiam começar a utilizar esta tecnologia para fazer entregas. Dessa forma, quando alguém pedir uma pizza ou até comprar algo na internet, o drone recolheria o produto para levar ao destino, tornando o processo mais rápido e com menor custo. 

Muitos setores já usam a tecnologia a seu favor. Os espectadores de cinema e televisão perceberam ângulos diferenciados que têm sido captados por drones em cidades bastante conhecidas. Como alguns dos aparelhos também podem fazer imagens térmicas, indústrias de gás e petróleo também já utilizam o equipamento para monitorar plataformas e gasodutos. 

E não para por aí. Construtoras podem usar drones para fiscalizar o andamento e a qualidade de obras, já que a máquina alcança lugares perigosos ou que uma pessoa não consegue ir facilmente. Até mesmo a polícia utiliza os drones para identificar tumultos e confusões em locais com grande quantidade de pessoas.

Sediada em Londrina (PR), a Adama Brasil é uma das empresas que não perdeu esse voo. Ela decidiu inovar e ir além da venda de produtos contra pragas em lavouras. Desde 2014, um dos serviços que passou a oferecer é o uso de drones para capturar imagens de alta definição em plantações de cana-de-açúcar. A vontade de ir cada vez mais alto fez com que a Adama recebesse o prêmio de empresa mais inovadora do país no setor de agronegócio pela revista Valor Econômico, em 2016.

O gerente de inovação da empresa, Roberson Marczak, foi um dos idealizadores do novo serviço. A empresa percebeu que os produtores não conseguiam identificar áreas com falhas de plantio porque as imagens de satélite tinham problemas de atualização, qualidade e precisão. Por isso, decidiu usar drones de asa fixa, que têm uma boa autonomia e podem fazer monitoramentos diários com fotos de alta qualidade e baixo custo. “Acredito que, daqui a cinco anos, o drone vai virar uma ferramenta indispensável em qualquer fazenda”, afirma o gerente.

Segundo Roberson, além de auxiliar a reconhecer falhas na plantação, o uso da tecnologia também evita desperdício. “Se um produtor acha que tem 50 hectares de cana, por exemplo, ele vai aplicar adubo e produtos para esta quantidade. Porém, se há falhas e ele só tem 45 hectares, 10% dos produtos que ele utilizar serão desperdiçados. Isso gera um custo maior do que ele precisa”, explica.

Tendo em vista as necessidades de cada indústria, a equipe de pesquisadores de projetos de inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) Ítalo Bologna, em Goiânia, iniciou pesquisas para a produção de drones customizados. A ideia é utilizar uma impressora 3D para montar cada estrutura da máquina. Por exemplo, se uma pizzaria precisa de um drone que seja leve e com a capacidade de carregar uma caixa de pizza grande, é melhor construir um robô que tenha esta habilidade, em vez de comprar um modelo padrão que provavelmente não vai atender essa necessidade.

Pesquisadores de todo o mundo estão tentando desenvolver drones independentes e autônomos. Dessa forma, o veículo seria capaz de identificar sozinho uma demanda e agir de acordo com ela. Por exemplo, quando uma pessoa comprasse algum produto online, ele seria capaz de reconhecer o produto no estoque da empresa e, dependendo da distância da entrega, ele sozinho levaria o produto para o destino. 

Atualmente este tipo de tecnologia não é permitida no Brasil, mas o pesquisador do SENAI Ítalo Bologna Rafael Nogueira acredita que ela deve ser liberada nos próximos anos. “A decisão no Brasil deve mudar quando todos os testes necessários já tiverem sido feitos e quando já tivermos certeza de como estes dispositivos vão se comportar”, afirma Nogueira.

A livre circulação de drones em áreas urbanas para uso recrativo ou empresarial ainda estão em discussão em vários países. Aqui no Brasil, algumas normas já foram estabelecidas, mas a regulamentação definitiva deve sair ainda este ano. Para se fabricar ou revender o equipamento, é preciso homologar o drone junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Fonte: http://businessleaders.com.br/categoria/inovacao/industrias-apostam-em-drones-para-impulsionar-produtividade

 
 

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