A tecnologia por trás do design da tocha olímpica

08
Agosto
 
 

Antes mesmo do início dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o Brasil já merecia uma medalha de ouro pelo desenvolvimento da tocha olímpica. Além da beleza estética e a criatividade da peça, com vários elementos em referência às Olimpíadas, ao País e ao Rio de Janeiro, brilham também as soluções inovadoras e tecnológicas do projeto criado pelo escritório de design Chelles & Hayashi, de São Paulo.

Por trás de boa parte das soluções está um engenheiro: o carioca Gustavo Chelles, que dirige a empresa em conjunto com a esposa, a designer catarinense Romy Hayashi. Formado em engenharia eletrônica e desenho industrial, Chelles explica que o perfil de sua empresa é técnico. “Usamos um conjunto de ferramentas de CAD, que são ferramentas de engenharia e não de design, e temos grande experiência no desenvolvimento de peças em metal”, explica.

Chelles destaca ainda que a equipe do escritório que desenvolveu o projeto conta com engenheiros mecânicos, além de ilustradores e designers. Em sua opinião, foi o perfil técnico da Chelles & Hayashi que deu confiança ao Comitê Olímpico para aceitar um projeto com tantas inovações e implementá-lo num prazo relativamente curto.

A principal inovação está no movimento da tocha, que se abre para receber a chama olímpica durante o revezamento. Um giro de 80º na manopla na base da tocha “abre” as cinco seções da tocha, revelando os elementos coloridos; um segundo giro libera o gás.“Foi uma entrega bem técnica, incluindo conceito, mock-up e listagem de todas as peças necessárias para a produção”, conta Chelles. O projeto final contou com a participação do Comitê Olímpico e da empresa que venceu a concorrência internacional para produzir a tocha, a espanhola Recam Làser, que já havia produzido a tocha dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. “80% dos itens da nossa proposta constam do projeto final”, diz, citando a substituição do queimador e a inclusão de uma mola.

A manopla na base da tocha se liga ao eixo da peça e o movimento é realizado com o emprego de um pistão pneumático e uma mola (semelhante aos da porta traseira dos veículos). A parte externa é produzida a partir de chapa de alumínio reciclado em torno de repuxo e posteriormente cortada a laser. As partes coloridas da tocha são produzidas em resina e colorizadas com verniz.

As peças internas de alumínio são usinadas. (Um detalhe: é possível que pelo menos partes da tocha tenham feitas numa máquina nacional, já que um vídeo no site da Recam Làser mostra um centro de usinagem vertical D 1000, fabricado pela Romi).

Foram produzidas 12 mil peças para serem usadas no revezamento, que passou por 83 cidades brasileiras. As pessoas que carregaram as tochas podiam adquiri-las. Para tanto, bastava desembolsar R$ 1.985,19, valor estabelecido pelo Comitê Olímpico. Alguns patrocinadores do revezamento (Nissan, Coca-Cola e Bradesco) presentearam seus convidados com as tochas que carregaram. Fonte: http://www.usinagem-brasil.com.br/noticias/ 



 
 

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